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Compostagem doméstica: o lixo orgânico vira adubo · 9 capítulos

Guia de compostagem

Transforme os restos da cozinha em adubo: como a compostagem funciona, qual composteira escolher, o minhocário passo a passo e como resolver cada problema.

Sobre o guia

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Cerca de metade do lixo de uma casa brasileira é resto orgânico, e quase tudo isso poderia virar adubo. Este guia mostra por que compostar e como o processo funciona; ajuda a escolher entre minhocário, caixa, leira e bokashi; ensina a montar e manter um minhocário, o que pode e o que não pode ir para a composteira, e como colher e usar o húmus e o biofertilizante. Traz ainda um guia de problemas e soluções e termina levando a compostagem para além da cozinha: o quintal, o prédio, a escola e o bairro.

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Por que compostar

Pense em tudo o que você joga fora numa semana: cascas de fruta, talos, folhas murchas, borra de café. Num lar brasileiro, cerca de metade do lixo é feita desse tipo de resto orgânico. E quase tudo isso vai parar no lixo comum, quando poderia virar adubo de excelente qualidade.

A compostagem é o processo natural em que microrganismos, e às vezes minhocas, transformam restos orgânicos num material escuro, fofo e cheiroso, parecido com terra de mata: o composto, ou húmus. Neste guia, você vai aprender a fazer isso em casa, em qualquer espaço.

Dois destinos para a mesma casca

Dois destinos para a mesma casca. No lixo comum: a casca vai para o saco de lixo misturada com o resto, segue para o aterro ou lixão, apodrece sem ar e gera metano e chorume. Na composteira: a casca é misturada com ar e matéria seca, vira adubo (húmus e biofertilizante) e volta como comida.
O mesmo resto pode virar problema ou virar comida.

No aterro ou no lixão, os restos orgânicos ficam enterrados no meio de outros lixos, sem ar. Ali eles apodrecem de um jeito diferente, que produz metano, um gás que esquenta o planeta muitas vezes mais do que o gás carbônico, e o chorume, um líquido escuro que pode contaminar o solo e a água. Além disso, transportar esse peso todo custa caro para as cidades.

Na composteira, com ar e matéria seca, a decomposição é limpa: não cheira mal, não atrai bichos se bem feita e devolve à terra os nutrientes que vieram dela.

Vídeo: O que é compostagem? · Sanca Social · 3 min

O lixo no Brasil

O Brasil gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos urbanos por ano. Uma parte ainda vai para lixões e aterros que não deveriam funcionar, e só uma fração muito pequena dos restos orgânicos é compostada. Cada família que composta em casa tira da conta da cidade dezenas ou centenas de quilos de lixo por ano.

Vídeo: ATERRO SANITÁRIO X LIXÃO · Info Sustentável · 6 min. A diferença entre aterro sanitário e lixão, e por que os dois são um destino ruim para os restos orgânicos.

O que você ganha compostando

  • Adubo de graça e de alta qualidade para a horta, os vasos e o jardim.
  • Menos lixo em casa: o saco de lixo fica menor, mais leve e sem cheiro.
  • Um ciclo fechado: o que vem da terra volta para a terra e vira comida de novo.
  • Uma aula de natureza para crianças e adultos, que passam a enxergar o lixo de outro jeito.

Você sabia?

O botânico inglês Albert Howard, considerado um dos pais da agricultura orgânica, organizou e difundiu nos anos 1930 um método de compostagem em camadas que observou entre agricultores na Índia. Muitas das técnicas usadas até hoje vêm desse trabalho.

Na prática

Descubra quanto lixo orgânico a sua casa produz:

  1. Durante uma semana, separe todos os restos de frutas, legumes, borra de café e cascas num pote ou balde com tampa.
  2. Pese ou meça no fim da semana. Multiplique por 52 para ter uma ideia do total no ano.
  3. Guarde esse número: ele vai ajudar a escolher o tamanho da sua composteira no capítulo 3.

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O que acontece com os restos orgânicos enterrados num aterro?

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Como a compostagem funciona

Compostar é dar condições para que um exército invisível trabalhe por você. Bactérias, fungos e pequenos animais, como minhocas, tatuzinhos e ácaros, comem os restos orgânicos e os transformam em húmus. Para eles trabalharem bem, precisam de quatro coisas: comida úmida, comida seca, ar e água na medida certa.

A receita da compostagem

A receita da compostagem com quatro ingredientes: verdes, restos úmidos como cascas e borra de café, ricos em nitrogênio; marrons, materiais secos como folhas, serragem e papelão, ricos em carbono; ar, porque sem oxigênio os restos apodrecem e cheiram mal; e água, com umidade de esponja espremida. Proporção prática: para cada balde de restos úmidos, cerca de dois baldes de material seco cobrindo por cima.
Verdes, marrons, ar e água: o equilíbrio entre os quatro é o segredo.
  • Verdes: restos úmidos e frescos, como cascas, talos, folhas de verdura e borra de café. São ricos em nitrogênio, que os microrganismos usam para crescer.
  • Marrons: materiais secos, como folhas secas, serragem de madeira não tratada, palha, papelão e papel picados. São ricos em carbono, a fonte de energia dos microrganismos, e absorvem o excesso de umidade.
  • Ar: os microrganismos da compostagem respiram oxigênio. Sem ar, entram em cena outros micróbios, que produzem mau cheiro.
  • Água: a umidade ideal é a de uma esponja espremida. Seco demais, o processo para; molhado demais, falta ar.

Na prática, a maioria dos problemas de quem começa vem de verdes demais e marrons de menos. Por isso a regra de ouro é sempre cobrir os restos úmidos com bastante material seco.

Vídeo: Compostagem Simples (transforme lixo orgânico em terra) · Tarumã Agroecologia · 4 min

As fases da compostagem

Numa pilha grande, a compostagem passa por fases bem marcadas:

  1. Começo: os microrganismos se multiplicam rápido e começam a quebrar os materiais mais fáceis.
  2. Fase quente: a atividade é tão intensa que o miolo da pilha pode passar de 55 °C. Esse calor elimina muitas sementes de mato e microrganismos causadores de doenças.
  3. Esfriamento: com menos comida fácil, a temperatura cai, e fungos e pequenos animais entram em ação, quebrando as fibras mais duras.
  4. Maturação: o material vira húmus estável, escuro, com cheiro de terra de mata.

Em composteiras pequenas, como as de apartamento, a fase quente quase não acontece, porque o volume é pequeno. É por isso que as minhocas são tão úteis em casa: elas fazem o trabalho pesado em temperatura ambiente.

Vídeo: COMO FUNCIONA A COMPOSTAGEM: FASES DE DECOMPOSIÇÃO · Agriconline · 6 min

Pedaços pequenos, trabalho rápido

Quanto menores os pedaços, mais superfície os microrganismos têm para atacar, e mais rápido o composto fica pronto. Picar as cascas e os talos com a faca ou a tesoura antes de colocar na composteira faz uma grande diferença.

Você sabia?

O cheiro de um bom composto pronto vem em parte de substâncias produzidas por microrganismos do solo, as mesmas que dão aquele cheiro gostoso de terra molhada depois da chuva. Se a sua composteira cheira a mata, ela está funcionando bem.

Na prática

Treine o olho para verdes e marrons:

  1. Separe dois potes na cozinha: um para os restos úmidos (verdes) e outro para materiais secos (marrons), como papel picado e folhas secas.
  2. Junte um estoque de marrons: peça serragem limpa numa marcenaria ou recolha folhas secas na rua ou no quintal. Ter material seco sempre à mão é essencial.
  3. Faça o teste da esponja num punhado de folhas umedecidas: aperte e veja se escorrem só algumas gotas.

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O que são os 'marrons' na compostagem?

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Escolhendo o seu método

Não existe uma composteira perfeita para todo mundo. A melhor é a que cabe no seu espaço, na sua rotina e na quantidade de restos que a sua casa produz. Conheça os quatro métodos mais comuns e escolha o seu.

Quatro métodos de compostagem: minhocário, caixas empilhadas com minhocas, para apartamento e com pouco cuidado diário; caixa ou balde, restos cobertos com serragem sem minhocas, para varanda ou área, revirando de vez em quando; leira ou pilha, monte de restos e folhas no chão, para quintal ou sítio, revirando e molhando; bokashi, fermentação em balde fechado com farelo, na cozinha, enterrando depois.
Do apartamento ao quintal, há uma composteira para cada casa.

Minhocário

Caixas empilhadas onde minhocas comem os restos e produzem húmus e um adubo líquido. É o método mais popular em apartamentos: ocupa pouco espaço, não cheira mal quando bem cuidado e produz um adubo de altíssima qualidade. Usa minhocas próprias para isso, as vermelhas-da-califórnia, que vivem bem em caixas.

Caixa ou balde sem minhocas

Um recipiente com furos para o ar, onde os restos são misturados e cobertos com bastante serragem ou folhas secas. Os microrganismos fazem o trabalho sozinhos. Pede um pouco mais de atenção à mistura e de vez em quando uma revirada, mas é barato e simples de montar.

Leira ou pilha

Para quem tem quintal ou terreno: um monte no chão, alternando camadas de restos úmidos e material seco. Por ser grande, esquenta e decompõe rápido, e aceita também restos de jardim, como grama cortada e galhos picados. Precisa ser revirado de tempos em tempos.

Vídeo: Compostagem de preguiçoso · Érika Canton · 6 min. Um jeito simples de compostar no quintal com pouco trabalho.

Bokashi

Um método de origem japonesa que fermenta os restos num balde bem fechado, misturados a um farelo com microrganismos. Aceita até alguns restos que outros métodos evitam, mas o material fermentado ainda precisa ser enterrado na terra ou colocado numa composteira para terminar de se decompor.

Como escolher

  • Mora em apartamento? O minhocário costuma ser a melhor escolha.
  • Tem varanda ou área de serviço e não quer minhocas? Caixa ou balde com serragem.
  • Tem quintal e restos de jardim? A leira resolve tudo de uma vez.
  • Quer compostar quase tudo e tem onde enterrar? Bokashi.

Quanto ao tamanho, uma família pequena costuma se dar bem com um minhocário de três caixas de uns 30 a 50 litros cada. Se a sua casa produz muito resto, vale um modelo maior ou dois minhocários. O número que você anotou no capítulo 1 ajuda a decidir.

Vídeo: Tipos de Compostagem - Minutos da Sustentabilidade · Canal IQX · 2 min

Você sabia?

Em muitas cidades brasileiras existem pontos de entrega voluntária de resíduos orgânicos, hortas comunitárias que aceitam restos para compostar e empresas que recolhem o orgânico em casa. Se nenhum método couber na sua rotina agora, procure uma dessas opções no seu bairro.

Na prática

Escolha o seu método:

  1. Avalie o espaço: onde a composteira ficaria? Precisa ser um lugar arejado, protegido do sol forte e da chuva.
  2. Compare com a quantidade de restos que você mediu no capítulo 1.
  3. Decida o método e liste o que precisa: caixas, minhocas, serragem, balde. Os próximos capítulos ensinam a montar e a manter um minhocário, o método mais usado em casa.

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Qual método costuma ser o melhor para apartamento?

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Montando o minhocário

O minhocário é o jeito mais prático de compostar em casa, inclusive em apartamento. Ele pode ser comprado pronto ou feito com caixas plásticas, e o funcionamento é sempre o mesmo: caixas empilhadas, minhocas trabalhando e uma caixa no fundo para recolher o líquido.

Por dentro do minhocário

Corte de um minhocário com três caixas empilhadas sobre um suporte: tampa; caixa de cima, que recebe os restos novos cobertos com matéria seca; caixa do meio, onde as minhocas terminam o trabalho; caixa coletora no fundo, que junta o líquido e tem uma torneira. Use minhocas vermelhas-da-califórnia.
As minhocas sobem pelos furos atrás de comida; o líquido desce para a coletora.

As duas caixas de cima, chamadas digestoras, têm furos no fundo. Por eles as minhocas passam de uma caixa para outra, e o líquido escorre para a caixa coletora, que fica embaixo, sem furos e com uma torneira.

O que você vai precisar

  • Três caixas empilháveis com tampa, de plástico ou de madeira (duas digestoras com furos e uma coletora).
  • Minhocas vermelhas-da-califórnia, que podem ser compradas ou ganhas de quem já tem um minhocário. As minhocas comuns de jardim vivem enterradas fundo e não se adaptam bem às caixas.
  • Um pouco de composto ou húmus para forrar a primeira caixa e acolher as minhocas.
  • Material seco em quantidade: serragem de madeira não tratada, folhas secas, palha. Guarde num balde ou saco ao lado da composteira.
  • Um baldinho com tampa na cozinha, para juntar os restos ao longo do dia.
  • Um suporte, como tijolos ou um banquinho, para deixar a torneira numa altura confortável.
Vídeo: Como Instalar a sua Composteira Doméstica · Projeto Raiz · 5 min

Montando passo a passo

  1. Escolha o lugar: arejado, protegido do sol direto e da chuva. Área de serviço, varanda coberta ou um canto do quintal sob um telhado funcionam bem.
  2. Instale a torneira na caixa coletora, com vedação dos dois lados, e deixe-a fechada.
  3. Coloque a coletora sobre o suporte. Um pequeno calço do lado oposto à torneira ajuda o líquido a escorrer. Um tijolo dentro da coletora serve de "escada" para as minhocas que caírem voltarem para cima.
  4. Encaixe a primeira caixa digestora e forre o fundo com o composto ou húmus e um pouco de serragem.
  5. Coloque as minhocas com a terra em que vieram, cubra com material seco e tampe. Deixe-as se acostumarem um ou dois dias antes da primeira alimentação.
  6. A segunda caixa digestora fica guardada por enquanto. Ela entra em cima quando a primeira estiver cheia, como você vai ver no capítulo 6.
Vídeo: MINHOCÁRIO - Tudo sobre eles · Cultivando · 15 min

Você sabia?

As minhocas não têm olhos, mas sentem a luz pela pele e fogem dela. É por isso que o minhocário precisa ficar tampado e na sombra, e é também esse comportamento que ajuda na hora de colher o húmus, como você vai ver adiante.

Na prática

Prepare a montagem:

  1. Defina o lugar da composteira e confira se ele fica protegido do sol e da chuva o dia todo.
  2. Providencie as caixas e as minhocas. Pergunte em grupos de jardinagem do seu bairro: quem tem minhocário quase sempre tem minhocas sobrando para doar.
  3. Junte um bom estoque de material seco antes de começar. Ele vai ser usado em toda alimentação.

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Que minhocas usar no minhocário?

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O que compostar

A composteira aceita a maior parte dos restos de uma cozinha, mas não tudo. Saber o que vai e o que fica de fora é o que separa uma composteira cheirosa e cheia de vida de uma que atrai mosquinhas e cheira mal.

O que vai na composteira, em três colunas. Pode à vontade: cascas de frutas e legumes, talos e folhas, borra de café e filtro, saquinhos de chá sem grampo, cascas de ovo moídas, folhas secas e serragem. Com moderação: cítricos, cebola e alho, restos cozidos sem tempero, pão e massas, papel e papelão picados. Evite: carnes e peixes, leite e derivados, óleos e gorduras, fezes de cães e gatos, plásticos e biodegradáveis, serragem de madeira tratada.
Na dúvida, comece pelo que é vegetal e cru.

Pode à vontade

  • Cascas, talos e folhas de frutas, legumes e verduras, de preferência picados.
  • Borra de café com o filtro de papel, e saquinhos de chá sem grampo.
  • Cascas de ovo secas e moídas, que trazem cálcio.
  • Folhas secas, serragem e palha, os materiais marrons, usados para cobrir.
  • Flores murchas e restos de plantas sadias do jardim.
Vídeo: Alimentos que estragam sua compostagem! · Érika Canton · 5 min

Com moderação

  • Cítricos, como cascas de limão, laranja e abacaxi, e cebola e alho: em grande quantidade, deixam o ambiente ácido ou irritante para as minhocas. Em pouca quantidade e bem picados, tudo bem.
  • Restos cozidos, como arroz, feijão e legumes cozidos sem tempero: atraem moscas e fermentam rápido, então use pouco e cubra muito bem.
  • Pão e massas: mofam fácil; em pequenas porções.
  • Papel e papelão picados, sem tinta brilhante nem plástico: funcionam como material seco.

Evite

  • Carnes, peixes, ossos, leite e derivados: apodrecem com mau cheiro e atraem ratos, baratas e moscas.
  • Óleos e gorduras: formam uma camada que impede o ar de circular.
  • Fezes de cães e gatos: podem carregar parasitas e doenças.
  • Plásticos, inclusive os "biodegradáveis" e "compostáveis": a maioria só se decompõe em usinas industriais, com temperaturas altas, e não numa composteira caseira.
  • Serragem de madeira tratada, compensado ou MDF: contêm colas e produtos químicos.
  • Plantas doentes ou com pragas: podem espalhar o problema junto com o adubo.
Vídeo: O que pode e o que não pode ser colocado na composteira · GeoPortal UFJF · 3 min

Uma regra simples

Se você ficar em dúvida, pergunte: é vegetal, cru e sem tempero? Então pode. É de origem animal, gorduroso ou industrializado? Então fica de fora. Com o tempo, você vai conhecer o ritmo da sua composteira e o que ela aceita melhor.

Você sabia?

As cascas de ovo moídas, além de trazer cálcio, ajudam a equilibrar a acidez da composteira. Secar as cascas no forno ainda quente depois de assar alguma coisa e triturar no pilão é um jeito fácil de prepará-las.

Na prática

Organize a separação na cozinha:

  1. Cole uma lista do que pode e do que não pode na porta da geladeira ou perto do baldinho.
  2. Combine com todos da casa e explique o porquê: fica muito mais fácil quando todo mundo entende.
  3. Pique os restos já na hora de preparar a comida, direto na tábua, antes de ir para o baldinho.

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Qual destes pode ir à vontade na composteira?

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Compostando no dia a dia

Com o minhocário montado e as minhocas acomodadas, começa a rotina. Ela é simples e rápida: alguns minutos, de uma a três vezes por semana. O segredo está em três gestos que se repetem sempre: pilha, cobertura e tampa.

Rotina de alimentar a composteira em quatro passos: 1, juntar no baldinho os restos picados, guardados com tampa na cozinha; 2, fazer uma pilha num canto da caixa de cima, sem espalhar; 3, cobrir com seco, serragem ou folhas até não ver nada úmido; 4, tampar e esperar, e quando a caixa encher, trocar de lugar com a do meio. Picar os restos acelera o trabalho das minhocas.
Pilha, cobertura e tampa: os três gestos de toda alimentação.

Alimentando

  1. Junte os restos no baldinho da cozinha, já picados, mantendo-o tampado.
  2. Faça uma pilha num canto da caixa de cima, sem espalhar. Uma pilha concentrada precisa de menos material seco para ser coberta, e as minhocas encontram a comida com facilidade.
  3. Cubra completamente com material seco. Não deve sobrar nenhum resto úmido à vista. Essa cobertura é o que evita mosquinhas, larvas e mau cheiro.
  4. Tampe a caixa.

Na próxima alimentação, faça a pilha em outro canto, e assim por diante, girando pela caixa. Quando você voltar ao primeiro canto, boa parte dos restos já terá sido comida.

Vídeo: COMO ALIMENTAR MINHOCAS · Consumo Orgânico · 2 min

No começo, devagar

Nas primeiras semanas, as minhocas ainda são poucas e estão se adaptando. Comece com pequenas quantidades e observe: se os restos da última alimentação ainda estão lá, quase intocados, espere mais antes de colocar outros. Com o tempo, as minhocas se multiplicam e passam a dar conta de mais comida.

A troca das caixas

Quando a caixa de cima estiver cheia, o que costuma levar algumas semanas, é hora da troca:

  1. A caixa cheia, que estava em cima, passa para o meio.
  2. A caixa vazia, que estava guardada, vai para cima e passa a receber os restos novos. Forre o fundo com um pouco de material seco.
  3. Não precisa colocar minhocas na caixa nova: quando a comida acabar na de baixo, elas sobem sozinhas pelos furos atrás dos restos frescos.
  4. Aproveite para esvaziar e lavar a caixa coletora.

Enquanto você enche a caixa de cima, as minhocas terminam o trabalho na do meio. Quando a de cima encher de novo, o material da do meio já estará pronto para ser colhido.

Cuidados com o líquido

O líquido que escorre para a coletora é um ótimo adubo, o biofertilizante. Retire-o pela torneira pelo menos uma vez por semana: se ficar parado muito tempo, pode cheirar mal e afogar minhocas que caiam ali.

Você sabia?

As minhocas vermelhas-da-califórnia se reproduzem rápido quando têm comida, umidade e temperatura boas. Em alguns meses, a população de um minhocário pode crescer bastante, e muita gente passa a doar minhocas para amigos começarem os seus.

Na prática

Crie a sua rotina de composteira:

  1. Escolha os dias fixos de alimentação, por exemplo, segunda e quinta.
  2. Anote em cada alimentação o que colocou e quanto. Repare em quantos dias os restos somem.
  3. Programe a retirada do líquido uma vez por semana e guarde-o num pote fechado para usar nas plantas, como ensina o próximo capítulo.

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Por que fazer uma pilha num canto em vez de espalhar os restos?

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Colhendo e usando o adubo

Depois de algumas semanas, chega a recompensa: um adubo escuro, fofo e cheiroso, e um líquido rico em nutrientes. Saber colher e usar esses dois produtos fecha o ciclo que começou na cozinha.

Quando o húmus está pronto

O composto está pronto quando a caixa do meio tem uma aparência de terra preta, solta, com cheiro de mata, e você já não reconhece os restos de comida (às vezes sobra um pouco de material seco não decomposto, o que é normal). Isso costuma levar de um a dois meses depois da troca das caixas.

Colhendo sem perder as minhocas

As minhocas fogem da luz, e esse comportamento ajuda na colheita:

  1. Na hora da troca, coloque a caixa do meio destampada na claridade ou sob o sol fraco por alguns minutos.
  2. As minhocas descem para o fundo, longe da luz.
  3. Raspe a camada de cima, que estará quase sem minhocas.
  4. Espere mais alguns minutos e repita, até restar uma camada de 5 a 7 centímetros cheia de minhocas no fundo. Essa camada fica na caixa, que volta para o minhocário.

O material colhido costuma estar úmido. Deixe secar na sombra por um ou dois dias antes de usar ou guardar. O que sobrou de material seco inteiro pode voltar para a composteira.

Vídeo: RETIRANDO O HÚMUS DA COMPOSTEIRA DOMÉSTICA - MINHOCÁRIO · Henrique Buttler · 7 min

Usando os dois adubos

Usando o que a composteira produz. Húmus sólido: uma camada de 2 a 3 cm ao redor da planta ou uma parte misturada ao substrato do vaso. Biofertilizante líquido: uma parte de líquido para dez partes de água, sempre diluído antes de usar, regando o solo e não as folhas, a cada uma ou duas semanas.
Um adubo sólido para o solo e um líquido para a rega.

Húmus (sólido):

  • Para adubar plantas que já estão crescendo: afofe levemente a terra ao redor da planta e espalhe uma camada de 2 a 3 centímetros de húmus, sem encostar no caule. A cada rega, os nutrientes descem para as raízes.
  • Para preparar vasos e canteiros: misture o húmus à terra, como um dos três ingredientes da receita de substrato do Guia de Cultivo.
  • Para revitalizar vasos cansados: retire um pouco da terra de cima e reponha com húmus.

Biofertilizante (líquido): é concentrado e precisa ser diluído. Uma proporção segura é uma parte de líquido para dez de água. Regue o solo ao redor das plantas a cada uma ou duas semanas. Use logo depois de diluído e guarde o concentrado num pote fechado, na sombra.

Guardando o húmus

O húmus seco pode ser guardado em sacos ou baldes com alguns furos, em lugar fresco e sombreado. Ele é um material vivo: o ideal é usar em alguns meses, enquanto a vida microbiana está ativa.

Você sabia?

O húmus de minhoca é muito apreciado por jardineiros porque, além dos nutrientes, melhora a estrutura do solo, ajuda a terra a segurar água e está cheio de microrganismos benéficos. Ele é tão suave que dificilmente queima as raízes, ao contrário de adubos concentrados.

Na prática

Faça a sua primeira colheita e aplicação:

  1. Confira a caixa do meio: já parece terra preta? Se sim, faça a colheita pelo método da luz.
  2. Adube três plantas com uma camada de húmus e regue em seguida.
  3. Dilua o líquido da semana na proporção de 1 para 10 e regue as outras. Acompanhe a diferença nas próximas semanas e registre no diário das plantas no app Cultivar.

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Como colher o húmus sem levar as minhocas junto?

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Problemas e soluções

Toda composteira dá sinais quando algo sai do equilíbrio. A boa notícia é que quase todo problema tem a mesma origem, umidade demais ou ar de menos, e a mesma solução: mais material seco e um pouco de mistura.

Tabela de sinais e ajustes. Cheiro ruim: causa provável, muito úmido ou sem ar; o que fazer, mais material seco e misturar. Mosquinhas: restos descobertos; cobrir bem e manter tampado. Minhocas no topo ou fugindo: umidade demais ou algo irritante; secar com serragem e tirar o item. Larvas grandes: moscas atraídas por restos expostos; cobrir mais, elas também ajudam. Nada acontece: seco demais ou pedaços grandes; umedecer e picar os restos.
Quase todo problema se resolve com mais material seco ou mais ar.

Cheiro ruim

Uma composteira saudável cheira a terra molhada. Cheiro de podre, de ovo ou de amônia indica excesso de restos úmidos e falta de ar. Acrescente bastante material seco, misture com cuidado a camada de cima para arejar e reduza a quantidade de comida por uns dias. Confira também se não entrou algo da lista de evitar, como carne ou laticínio.

Mosquinhas

Pequenas mosquinhas aparecem quando há restos úmidos expostos. A solução é cobrir muito bem cada alimentação com material seco, manter a tampa fechada e não deixar o baldinho da cozinha aberto. Frutas muito maduras costumam trazer ovos de mosquinhas da própria fruteira, por isso vale cobrir com ainda mais cuidado.

Vídeo: Mosquinhas na Composteira · Projeto Raiz · 6 min

Minhocas no topo, na tampa ou fugindo

Minhocas subindo pelas paredes ou se juntando na tampa estão incomodadas. As causas mais comuns são umidade demais, calor excessivo ou algo que irritou o ambiente, como muito cítrico, cebola ou um alimento temperado. Acrescente material seco, confira se a composteira não está no sol e retire o que pode estar incomodando.

Líquido com cheiro forte ou minhocas afogadas

O líquido parado por muito tempo na coletora fica com cheiro ruim e pode afogar as minhocas que caem ali. Retire o líquido toda semana e mantenha o tijolo ou outro apoio dentro da coletora, para as minhocas conseguirem subir de volta.

Larvas grandes

Larvas grandes e escuras costumam ser da mosca-soldado. Elas assustam, mas não fazem mal às pessoas nem às plantas, e até ajudam a decompor os restos. Aparecem quando há restos descobertos. Cubra melhor; se forem muitas, reduza os restos cozidos e as frutas muito maduras.

Vídeo: O QUE FAZER SE DER LARVA NA COMPOSTEIRA · Bernardo Marquez · 10 min

Nada acontece

Se os restos ficam semanas sem se decompor, provavelmente a composteira está seca demais, os pedaços estão grandes demais ou há poucas minhocas. Umedeça levemente o material seco, pique melhor os restos e diminua a quantidade até as minhocas se multiplicarem.

Formigas

Formigas aparecem quando o ambiente está seco demais. Umedeça um pouco o material e mantenha o suporte isolado, por exemplo, apoiando os pés em pratinhos com água.

Você sabia?

Pequenos animais como tatuzinhos, ácaros e colêmbolos (minúsculos bichinhos brancos que pulam) são comuns em composteiras e fazem parte do time de decompositores. A presença deles é sinal de um ambiente vivo, e não de problema.

Na prática

Faça a vistoria da sua composteira:

  1. Abra a tampa e cheire: o cheiro é de terra ou de podre?
  2. Faça o teste da esponja num punhado do material: devem escorrer só algumas gotas.
  3. Ajuste com o que aprendeu: mais seco se estiver encharcado, um pouco de água se estiver seco, e anote o que mudou.

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O que costuma resolver o mau cheiro na composteira?

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Compostagem além da cozinha

Depois de dominar a composteira da cozinha, muita gente quer ir além: compostar os restos do jardim, levar a ideia para a escola, para o prédio ou para o bairro. A compostagem é uma das ações ambientais mais simples de multiplicar, e começa justamente com pessoas como você.

A leira: compostagem em monte

Quem tem quintal, escola ou horta comunitária pode compostar em leira, um monte no chão em que se alternam camadas de restos úmidos e de material seco, como folhas, palha e grama.

Corte de uma leira de compostagem: um monte no chão com camadas alternadas de verdes e secos, coberto com palha por fora; o miolo chega a 55 a 65 graus Celsius; é revirada a cada uma ou duas semanas e fica pronta em cerca de 3 a 4 meses.
Por ser grande, a leira esquenta e decompõe rápido.
  • Tamanho: um monte de pelo menos um metro de largura e de altura consegue esquentar e decompor rápido.
  • Camadas: comece com galhos finos na base, para arejar, e alterne restos úmidos e material seco, terminando sempre com uma camada seca por cima.
  • Calor: nos primeiros dias, o miolo pode chegar a 55 a 65 °C, o que elimina sementes de mato e muitos microrganismos causadores de doenças.
  • Manejo: revire a cada uma ou duas semanas, levando o material de fora para dentro, e umedeça se estiver seco.
  • Tempo: em cerca de três a quatro meses, a leira vira composto pronto.
Vídeo: Como Iniciar uma Leira de Compostagem · Terra Orgânica · 10 min

Compostagem coletiva

Prédios, condomínios, escolas e bairros podem compostar juntos. Em muitas cidades brasileiras, grupos de moradores mantêm pátios de compostagem comunitária, onde cada família leva seus restos e o adubo vai para hortas e praças. Algumas prefeituras já recolhem o orgânico separado e fazem a compostagem em larga escala.

Para começar algo coletivo, o caminho costuma ser parecido: reunir algumas pessoas interessadas, escolher um lugar, combinar regras simples do que pode entrar e de quem cuida, e começar pequeno.

Vídeo: Websérie Compô: Compostagem Comunitária - EP01 · Compô - Compostagem Comunitária · 5 min

Seja você a mudança

Cada pessoa que composta tira do lixo dezenas ou centenas de quilos de restos por ano, devolve vida à terra e inspira quem está por perto. Algumas formas de espalhar a ideia:

  • Doe minhocas e húmus para amigos e vizinhos começarem as suas composteiras.
  • Leve a compostagem para a escola das crianças, como projeto de ciências.
  • Proponha no seu prédio uma composteira coletiva na área comum.
  • Use o adubo para plantar árvores e flores na calçada e mostre o resultado.

Você sabia?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, prevê que os resíduos orgânicos sejam reaproveitados e que só o que não tem outro destino vá para aterros. A compostagem doméstica e comunitária é uma das formas mais diretas de colocar essa ideia em prática.

Na prática

Dê o próximo passo além da sua cozinha:

  1. Conte para três pessoas o que você aprendeu e ofereça um pouco de húmus ou minhocas.
  2. Procure iniciativas de compostagem no seu bairro, na escola ou no condomínio.
  3. Se tiver quintal, monte uma pequena leira com folhas secas e restos de jardim e acompanhe o calor do miolo com a mão nos primeiros dias.

Teste rápido

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Que temperatura o miolo de uma leira pode alcançar?

Leia no app e ganhe folhas

No app, cada capítulo concluído vira folhas no seu jardim, e você pode ouvir tudo em áudio.

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Comentários sobre Guia de compostagem

Explicação maravilhosa, cheia de detalhes e muito clara. Parabéns 🌿🌿

Danilo, MG

Excelente material, rico em detalhes, perfeito. Parabéns!

Marcelo, RJ

Acho incrível 😍

Amanda, PA

Achei incrível

Diego, MG

Excelente parabéns

Edivan, AM

Simples e fácil. Ja estou providenciando a minha compoteira. Entre outras

Roberto, PB

Muito bom

Fagner, PA

Muito bom 😊

Fer, PR

Lindo conteúdo!

Daniel, MG

Gostei 👍🏻 👍🏻

José, PE

Muito bom o detalhamento e as dicas de cuidados.

Guilherme, RJ

Material excelente , estou usando nas minhas aulas de agroecologia 👏👏👏👏👏💚

Escola, SP

Muito bom, parabéns informações úteis…

Aldivaldo, SP

Gostei das informações, serão muito uteis

Claudinete, SP

Ótima ideia! Já comecei minha compostagem seguindo essas excelentes informações!!!

Paulo, MG

Muita riqueza de informação obrigado

Mauricio